Era uma vez a lingerie

Não é de hoje que a lingerie desperta fantasias e é sucesso nas compras de toda mulher. As famosas “roupas de baixo” passaram por uma série de transformações ao longo do tempo, acompanhando as mudanças culturais e as exigências de uma nova mulher que foi surgindo, principalmente durante o século XX. Que tal conhecer um pouco da sua história?


Antes de Cristo: A história da lingerie começa por volta do segundo milênio antes de Cristo. Em Creta, as mulheres usavam um corpete simples que sustentava a base do busto, projetando os seios nus. Essa "moda" era inspirada na Deusa com Serpentes, ideal feminino da época.


Na Idade Média: Nessa época, surgiram os ancestrais do corselete. Um deles era o bliaud, uma espécie de corpete amarrado atrás ou nas laterais, que apertava o busto como uma couraça e era costurado a uma saia plissada. Só em torno do século XV é que as mulheres nobres passaram a usar um largo cinto sob o busto. Eles sustentavam os seios, fazendo com que parecessem mais volumosos.


Durante o Renascimento: Aqui a roupa íntima feminina ficou ainda mais rígida. Surgiu um corpete que apertava o ventre, afinava a cintura e deixava os seios com aspecto de cones. Esta peça era construída com uma haste, que muitas vezes era feita de madeira de bucho ou marfim. No entanto, estes corpetes começaram a causar polêmica entre médicos esclarecidos, pois comprimiam órgãos internos, causando entrelaçamento de costelas e até a morte.


Século XVIII: As mulheres começaram a respirar, literalmente, um pouco mais aliviadas. É que as hastes de madeira e metal foram substituídas pelas barbatanas de baleia. Os decotes aumentaram e os corseletes passaram a ser confeccionados para comprimir a base do busto, deixando os seios em evidência. Também foi nesta época que os corseletes ganharam sofisticação. Eram bem trabalhados com bordados, laços e tecidos adamascados. Além disso, as roupas íntimas eram compostas por calças que chegavam até os joelhos, cheias de babadinhos.


Século XX: Em 1913, Mary Phelps Jacob inventou o sutiã, vendendo a patente para a Warner Company. Foi na década de 30 que se descobriu o látex e, em seguida, o náilon. As roupas íntimas passaram a ser formadas por um conjunto de cintas, saiotes, calcinhas, combinações e espartilhos mais flexíveis. E a lingerie passou a ter outras cores, além do tradicional branco.


No final dos anos 50 e início dos 60, os fabricantes começaram a se interessar pelas consumidoras mais jovens. A Lycra foi lançada com sucesso, pois permitia os movimentos. Já entre 70 e 80, a inspiração romântica tomou conta da moda. Cinta-liga, meias 7/8 e corseletes, sem a antiga modelagem claustrofóbica, voltaram à moda. Rendas, laços e tecidos delicados enfeitavam calcinhas e sutiãs.


Dos anos 90 até os dias de hoje, a lingerie, assim como a moda, não segue apenas um único estilo. Os sutiãs desestruturados dividem as mesmas prateleiras com os modelos de bojo. Tecidos naturais, como o algodão, são vendidos nas mesmas lojas de departamento que os modelos com tecidos tecnológicos. O que realmente importa é agradar a cada mulher, cada corpo, cada ocasião.


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